MARTINISMO, MARTINEZISMO E A VIA DA REINTEGRAÇÃO

 

Uma das mais profundas correntes do esoterismo cristão ocidental.

 

Entre as grandes correntes iniciáticas que floresceram na França do século XVIII, poucas possuem uma história tão fascinante e, ao mesmo tempo, tão frequentemente confundida quanto o Martinismo.

 

Por trás desse nome encontramos uma verdadeira árvore de tradições: a teurgia de Martinès de Pasqually, a mística interior de Louis-Claude de Saint-Martin, a obra maçônica de Jean-Baptiste Willermoz e, posteriormente, o renascimento martinista promovido por Papus e Augustin Chaboseau no final do século XIX.

 

Embora essas correntes possuam uma raiz comum, elas não são idênticas.

 

O Martinezismo é essencialmente associado à doutrina e à prática de Martinès de Pasqually e de sua Ordem dos Cavaleiros Maçons Élus Coëns do Universo.

 

O Martinismo, em sentido mais específico, tornou-se associado sobretudo à obra de Louis-Claude de Saint-Martin, o chamado Filósofo Desconhecido, e posteriormente às ordens iniciáticas que surgiram em seu nome.

 

Entre ambos existe uma ponte fundamental:

 

a doutrina da Reintegração.

 

É a ideia de que o ser humano não se encontra em seu estado original. Existe uma condição espiritual anterior, uma dignidade perdida e um caminho de retorno à fonte divina.

 

Essa concepção constitui o coração filosófico de toda a tradição.

 

MARTINÈS DE PASQUALLY E OS ÉLUS COËNS

A história começa no século XVIII com uma figura envolta em certo mistério: Martinès de Pasqually.

Sua biografia permanece parcialmente obscura, inclusive quanto à sua origem e aos primeiros anos de sua vida. O que sabemos com maior segurança é sua atividade no ambiente maçônico francês e a formação, na década de 1760, da Ordem dos Cavaleiros Maçons Élus Coëns do Universo. Bordeaux tornou-se um dos principais centros de sua atividade. (Ordre Martiniste Traditionnel (O.M.T.))

 

O nome Élus Coëns pode ser traduzido aproximadamente como Sacerdotes Eleitos ou Eleitos Sacerdotes.

Não se tratava simplesmente de uma sociedade filosófica.

 

Era uma organização iniciática de caráter profundamente teúrgico.

 

Seu objetivo era conduzir o iniciado através de uma disciplina espiritual destinada à reconciliação com o Divino e à recuperação das faculdades espirituais perdidas.

 

Para isso, Pasqually empregava uma complexa estrutura de graus, orações, jejuns, preparação ritual, invocações, símbolos, nomes divinos e operações teúrgicas.

 

A tradição dos Élus Coëns representa, portanto, uma das expressões mais elaboradas da teurgia cristã ocidental.

 

O QUE É O MARTINEZISMO?

O termo Martinezismo é utilizado posteriormente para designar o sistema doutrinário associado a Martinès de Pasqually.

 

É importante fazer essa distinção porque, historicamente, Martinès de Pasqually não fundou uma organização chamada "Ordem Martinista".

 

O movimento que hoje chamamos Martinismo é posterior.

 

O que existia no século XVIII era a escola dos Élus Coëns, cuja doutrina foi desenvolvida por Pasqually e transmitida a seus discípulos.

 

O núcleo dessa doutrina encontra-se em seu célebre:

 

Traité de la Réintégration des Êtres dans leurs premières propriétés, vertus et puissances spirituelles et divines

 

ou simplesmente:

 

Tratado da Reintegração dos Seres.

 

A obra foi composta na década de 1770 e permaneceu inacabada com a morte de seu autor. Ela constitui uma das fontes fundamentais para compreender o pensamento de Pasqually. (Wikipedia)

 

A DOUTRINA DA REINTEGRAÇÃO

 

A palavra Reintegração talvez seja a chave mais importante para compreender toda a tradição.

 

Segundo a visão de Pasqually, a humanidade não deve ser compreendida apenas como uma espécie biológica vivendo em um universo material.

 

O homem possui uma origem espiritual.

 

Sua condição atual representa uma espécie de afastamento ou queda em relação à sua condição primordial.

 

O objetivo da existência espiritual é, portanto, o retorno.

 

Não simplesmente o retorno a um lugar.

 

Mas o retorno a uma condição de ser.

 

A Reintegração significa recuperar progressivamente aquilo que pertence à natureza espiritual original do ser humano:

 

sua propriedade, sua virtude e sua potência espiritual e divina.

 

O conceito está diretamente associado ao título do Tratado da Reintegração. 

 

É uma verdadeira cosmologia iniciática.

 

O universo possui uma história espiritual.

 

A humanidade possui uma história espiritual.

 

E a iniciação representa a possibilidade de participar conscientemente do processo de retorno à origem.

 

A QUEDA

Na cosmologia de Pasqually, o drama humano está relacionado a uma realidade anterior à existência terrestre.

 

Seres espirituais foram criados por Deus e receberam determinadas funções na ordem universal.

 

A rebelião de determinados seres espirituais introduz uma ruptura na ordem divina.

 

Surge então a necessidade de uma obra de reconciliação.

 

O homem possui uma função especial nesse processo.

 

Ele não é simplesmente vítima da queda.

 

Ele participa de uma verdadeira obra cósmica de restauração.

 

É por isso que a doutrina de Pasqually possui uma visão tão elevada da natureza humana.

 

O homem caiu, mas não perdeu definitivamente sua origem.

 

Existe dentro dele a possibilidade de retornar.

 

O HOMEM COMO SER ESPIRITUAL

 

Para o Martinezismo, o ser humano possui uma natureza que ultrapassa sua condição material.

 

O corpo pertence ao domínio da manifestação.

 

Mas existe uma dimensão espiritual que precede e transcende o corpo.

 

A vida humana pode então ser compreendida como uma condição intermediária.

 

Estamos no mundo, mas nossa origem não está limitada ao mundo.

 

Essa concepção produz uma pergunta essencial:

 

Como recuperar a consciência de nossa verdadeira natureza?

 

A resposta de Pasqually passa pela iniciação, pela oração, pela disciplina espiritual e, especialmente, pela Teurgia.

 

A TEURGIA DOS ÉLUS COËNS

 

A palavra teurgia significa, em sentido tradicional, uma operação ou obra divina.

 

No sistema de Pasqually, ela não deve ser confundida simplesmente com "magia para conseguir coisas".

Sua finalidade é espiritual.

 

O operador busca colocar-se em relação com as realidades superiores e, através delas, avançar no caminho da Reintegração.

 

A prática dos Élus Coëns envolvia operações rituais complexas, orações, jejuns, invocações e trabalho com símbolos e nomes sagrados.

 

A tradição também atribui importância às manifestações de inteligências espirituais durante determinadas operações.

 

O propósito final, entretanto, não era colecionar fenômenos.

 

Era avançar na direção de Deus.

 

Essa distinção é essencial.

 

Na verdadeira teurgia, o fenômeno é secundário.

 

A transformação espiritual é o objetivo.

 

LOUIS-CLAUDE DE SAINT-MARTIN

 

Entre os discípulos de Pasqually surgiu aquele que se tornaria provavelmente o mais famoso representante de sua tradição:

 

Louis-Claude de Saint-Martin (1743–1803).

 

Saint-Martin foi iniciado nos Élus Coëns em 1765 e tornou-se um dos discípulos mais próximos de Pasqually. Durante determinado período, atuou inclusive como seu secretário. 

 

Mas Saint-Martin acabaria desenvolvendo uma abordagem própria.

 

A experiência teúrgica ensinou-lhe algo que se tornaria central em sua vida espiritual:

 

o verdadeiro templo encontra-se no interior do ser humano.

 

Gradualmente, Saint-Martin passou a privilegiar uma via mais interior, contemplativa e mística.

 

Essa tradição ficou posteriormente conhecida como:

 

A Via do Coração.

 

A VIA DO CORAÇÃO

 

A diferença entre Pasqually e Saint-Martin não deve ser exagerada.

 

Saint-Martin não simplesmente abandonou a doutrina de seu mestre.

 

Ele procurou conduzi-la a uma dimensão mais interior.

 

Se a teurgia de Pasqually utiliza operações ritualísticas para estabelecer uma relação com o mundo espiritual, Saint-Martin passa a enfatizar a transformação interior do próprio homem.

 

A oração.

O silêncio.

A contemplação.

O desejo espiritual.

A purificação interior.

A busca por Deus.

 

É o movimento da magia exterior para a magia do interior.

 

A tradição martinista posterior chamou esse caminho de voie cardiaque, a Via do Coração.

 

O coração, nesse contexto, não representa simplesmente emoção.

 

É o centro espiritual do ser.

 

É o lugar interior no qual o homem pode reencontrar a presença divina.

 

O FILÓSOFO DESCONHECIDO

 

Saint-Martin publicou suas obras sob o pseudônimo:

 

Le Philosophe Inconnu

O Filósofo Desconhecido.

 

Entre suas obras encontram-se:

 

Dos Erros e da Verdade
Des erreurs et de la vérité

O Quadro Natural
Tableau naturel des rapports qui existent entre Dieu, l'homme et l'univers

O Homem de Desejo
L'Homme de désir

O Novo Homem
Le Nouvel Homme

O Ministério do Homem-Espírito
Le Ministère de l'Homme-Esprit

 

Sua obra desenvolve uma espiritualidade profundamente cristã, mas atravessada pelo esoterismo, pela teosofia e pela tradição iluminista.

 

Ele também sofreu influência importante do místico alemão Jakob Böhme, cuja obra aprofundou ainda mais sua concepção da relação entre Deus, o homem e o universo. (Ordre Martinistes Souverains)

 

O HOMEM DE DESEJO

 

Um dos conceitos mais belos de Saint-Martin é o do Homem de Desejo.

 

O desejo, nesse contexto, não significa ambição material.

 

É a aspiração da alma pelo Divino.

 

O Homem de Desejo é aquele que percebe que sua condição presente não é suficiente.

 

Ele sente dentro de si uma nostalgia de algo maior.

 

Busca a verdade.

 

Busca a luz.

 

Busca Deus.

 

Esse desejo é o começo da transformação.

 

Antes de existir o iniciado, existe o homem que deseja despertar.

 

SAINT-MARTIN E A ALQUIMIA INTERIOR

 

A linguagem de Saint-Martin permite uma leitura profundamente alquímica.

 

Mas a alquimia, nesse caso, não é principalmente a transformação de metais.

 

É a transformação do próprio homem.

 

A matéria bruta corresponde ao estado não iluminado da consciência.

 

A purificação representa o trabalho interior.

 

A luz representa a consciência espiritual.

 

A reintegração representa o retorno à condição original.

 

É a Grande Obra realizada no próprio ser.

 

Por isso, o Martinismo pode dialogar tão naturalmente com a Alquimia, a Qabala, o Hermetismo e o Rosacrucianismo, embora não seja simplesmente equivalente a nenhuma dessas tradições.

 

JEAN-BAPTISTE WILLERMOZ

 

O terceiro grande personagem dessa história é Jean-Baptiste Willermoz (1730–1824).

 

Willermoz foi outro discípulo importante de Pasqually e seguiu uma trajetória diferente da de Saint-Martin.

 

Sua contribuição foi fundamental para a transmissão de elementos da doutrina de Pasqually dentro de estruturas maçônicas.

 

Em 1778, no Convento das Gálias, e posteriormente no Convento de Wilhelmsbad de 1782, Willermoz desempenhou papel importante na transformação da tradição maçônica que daria origem ao Rito Escocês Retificado ou Regime Escocês Retificado.

 

Assim, a herança de Pasqually tomou caminhos diferentes:

 

Pasqually → Élus Coëns → Teurgia

Saint-Martin → Via do Coração → Mística interior

Willermoz → Regime Escocês Retificado → Doutrina da Reintegração em contexto maçônico

 

Três caminhos.

Uma mesma fonte.

 

MARTINISMO NÃO É SINÔNIMO DE MARTINEZISMO

 

Essa distinção é fundamental para quem deseja estudar seriamente a tradição.

 

MARTINEZISMO

 

É a corrente associada diretamente à doutrina de Martinès de Pasqually.

 

Seu eixo é a cosmologia da Reintegração e a prática teúrgica dos Élus Coëns.

 

SAINT-MARTINISMO

 

É a corrente associada à obra e à espiritualidade de Louis-Claude de Saint-Martin.

 

Seu eixo é a transformação interior, a oração, a contemplação e a Via do Coração.

 

MARTINISMO

 

O termo passou a ser utilizado posteriormente para designar de maneira mais ampla as correntes derivadas ou inspiradas por essas tradições.

 

No final do século XIX, o nome passou a designar também uma organização iniciática moderna.

 

PAPUS E O RENASCIMENTO DO MARTINISMO

 

Quase um século depois de Saint-Martin, a Europa testemunharia um grande renascimento do interesse pelo ocultismo.

 

Nesse ambiente surge uma das figuras mais importantes do esoterismo francês:

 

Gérard Encausse, o Papus.

 

Médico, ocultista, escritor e organizador de diversas correntes esotéricas, Papus teve papel decisivo na criação de uma estrutura moderna para o Martinismo.

 

Em colaboração com Augustin Chaboseau, reuniu elementos de transmissões iniciáticas que ambos associavam a Saint-Martin e, por volta de 1888, surgiu o movimento que ficaria conhecido como Ordre Martiniste. 

 

O Martinismo entrava assim em uma nova era.

 

De uma tradição transmitida principalmente através de discípulos e círculos privados, transformava-se em uma organização iniciática internacional.

 

OS GRAUS MARTINISTAS

 

As organizações martinistas modernas desenvolveram diferentes sistemas de graus.

 

Uma estrutura bastante conhecida apresenta três graus principais:

 

Associado

Iniciado

Superior Inconnu

ou S.I.

 

As nomenclaturas e os rituais variam conforme a linhagem martinista.

 

Essa diversidade é importante.

 

Não existe uma única organização contemporânea que possa reivindicar ser a única expressão possível de todo o Martinismo.

 

Existem diferentes ordens, linhagens e interpretações.

 

Algumas enfatizam Saint-Martin.

 

Outras recuperam elementos de Pasqually.

 

Algumas possuem forte ligação maçônica.

 

Outras funcionam independentemente da Maçonaria.

 

O SÍMBOLO MARTINISTA

 

O simbolismo martinista gira frequentemente em torno de ideias como:

 

a Queda

a perda da condição primordial

a busca pela Luz

a regeneração

a Reintegração

o Homem Novo

a união com o Divino.

 

O iniciado não é apresentado como alguém que simplesmente adquire conhecimentos secretos. Ele é alguém que deve transformar-se.

 

Essa é talvez a característica mais importante da tradição.

 

UMA TRADIÇÃO CRISTÃ, MAS ESOTÉRICA

 

O Martinismo possui uma identidade profundamente marcada pelo Cristianismo.

 

Mas não se trata simplesmente de uma catequese cristã convencional.

 

Sua abordagem é esotérica.

 

As Escrituras são contempladas como textos que possuem dimensões simbólicas e espirituais profundas.

Cristo ocupa uma posição central na economia da Reintegração.

 

A Queda, Adão, a serpente, o Éden, a encarnação, a redenção e o Homem Novo são interpretados dentro de uma cosmologia iniciática.

 

Por isso, o Martinismo pode ser entendido como uma forma de Cristianismo esotérico ou mística cristã esotérica, embora as diferentes escolas martinistas apresentem diferenças importantes em sua interpretação.

 

O CAMINHO MARTINISTA

 

O caminho martinista pode ser resumido em uma sequência simples:

 

QUEDA

O ser humano encontra-se afastado de sua condição primordial.

 

CONSCIÊNCIA

Ele percebe sua condição e desperta o desejo de retornar.

 

PURIFICAÇÃO

Começa o trabalho de transformação interior.

 

REGENERAÇÃO

A consciência recupera progressivamente sua natureza espiritual.

 

REINTEGRAÇÃO

O homem retorna à sua origem e reencontra sua relação consciente com o Divino.

 

Não se trata apenas de uma teoria cosmológica.

 

É um mapa iniciático da transformação humana.

 

A GRANDE PERGUNTA MARTINISTA

 

No fundo, toda a tradição pode ser reduzida a uma pergunta:

 

Quem éramos antes de nos tornarmos aquilo que pensamos ser?

 

E uma segunda pergunta surge imediatamente:

 

Podemos retornar àquilo que realmente somos?

 

Para o Martinismo, a resposta é afirmativa.

 

O homem não está condenado a permanecer prisioneiro de sua condição atual.

 

Existe uma origem.

Existe uma queda.

Existe um caminho.

E existe um retorno.

Esse retorno é a Reintegração.

 

MARTINISMO E A TRADIÇÃO SALOMÔNICA

 

Para o estudante da tradição salomônica, o Martinismo oferece uma perspectiva complementar extremamente rica.

 

A magia salomônica apresenta o domínio das operações, dos nomes divinos, dos anjos, dos espíritos, dos símbolos e dos rituais.

 

O Martinismo acrescenta uma pergunta que transforma completamente essa prática:

 

quem é o operador?

 

Não basta conhecer os nomes.

Não basta dominar os símbolos.

Não basta executar corretamente um ritual.

O próprio magista precisa ser transformado.

 

A verdadeira magia começa quando o operador percebe que a Grande Obra também acontece dentro dele.

 

Nesse sentido, a tradição martinista pode dialogar profundamente com a Qabala, o Hermetismo, a Alquimia e o Rosacrucianismo.

 

A VIA EXTERIOR E A VIA INTERIOR

 

A história do Martinismo apresenta uma das grandes tensões criativas do esoterismo ocidental.

 

De um lado está a via operativa.

 

Rituais.

Orações.

Invocações.

Símbolos.

Teurgia.

De outro está a via interior.

Silêncio.

Contemplação.

Oração.

Purificação.

Transformação.

 

Saint-Martin percebeu que essas duas dimensões não precisam necessariamente ser inimigas.

 

A questão não é escolher entre ritual e interioridade.

 

A questão é compreender para onde o ritual deve conduzir.

 

O ritual pode abrir a porta.

 

Mas é o ser humano quem precisa atravessá-la.

 

O MARTINISMO COMO ESCOLA DO HOMEM INTERIOR

 

Talvez seja essa a melhor maneira de compreender a tradição.

 

O Martinismo é uma escola do Homem Interior.

 

Seu objetivo não é produzir simplesmente ocultistas eruditos.

 

É formar homens e mulheres capazes de reconhecer em si mesmos a centelha da origem divina e trabalhar conscientemente para restaurá-la à sua plena dignidade.

 

A iniciação não termina no templo.

 

Ela começa nele.

 

E continua na vida.

 

PARA AQUELES QUE BUSCAM A LUZ

 

O estudante que se aproxima do Martinismo encontra uma tradição que atravessou séculos sem perder sua pergunta fundamental.

 

De Pasqually aos Élus Coëns.

Dos Élus Coëns a Saint-Martin.

De Saint-Martin a Willermoz.

De Willermoz às correntes maçônicas e iniciáticas posteriores.

De Saint-Martin a Papus.

De Papus às diversas ordens martinistas contemporâneas.

 

A árvore possui muitos ramos.

 

Mas suas raízes permanecem reconhecíveis.

 

De onde viemos?

Por que caímos?

Quem realmente somos?

Como retornar à nossa origem?

 

Essas são as perguntas do Martinismo.

 

E a resposta não é apenas intelectual.

 

É uma obra.

 

Uma obra realizada na consciência, na oração, no conhecimento, na disciplina e na transformação do próprio ser.

 

Porque, para o Martinista, a maior iniciação não consiste em descobrir um segredo escondido em algum manuscrito antigo.

 

Consiste em descobrir que o templo que procurávamos sempre esteve dentro de nós.

 

MARTINISMO NA ORDO SALOMONIS

 

O estudo do Martinismo dentro de uma escola de magia ocidental pode ser compreendido como uma ponte entre a magia operativa e a transformação interior.

 

A Ordo Salomonis oferece um vasto conteúdo de ensinamentos do Martinismo e Rosacrucianismo ainda praticamente inéditos em língua Portuguesa. Recebemos a autorização para publicar os ensinamentos do International College of Martinist Studies que estava baseado em Barbados,  no Caribe. Nossos membros recebem um caderno de lições por mês, em adição aos outros conteúdos e cursos e palestras online.

 

O objetivo não é transformar o estudante em um simples colecionador de teorias e conhecimentos, mas sim oferecer instrumentos para que ele compreenda uma das grandes ideias que atravessam toda a tradição iniciática: A verdadeira Grande Obra é a transformação do próprio ser.

 

E é nessa perspectiva que Martinès de Pasqually, Louis-Claude de Saint-Martin e a tradição martinista continuam falando ao buscador contemporâneo.

 

Da Queda à Reintegração.
Da ignorância ao conhecimento.
Da separação à Unidade.
Da escuridão à Luz...

 

Nota histórica

 

É importante observar que "Martinismo" é um termo amplo e que as organizações contemporâneas não constituem uma tradição absolutamente uniforme. A própria história da transmissão entre Pasqually, Saint-Martin e as ordens martinistas posteriores é objeto de estudo e debate. Por isso, o leitor interessado deve distinguir cuidadosamente entre a documentação histórica do século XVIII, as tradições iniciáticas transmitidas posteriormente e as reconstruções modernas. 

 

Para aprofundamento, entre as fontes primárias e estudos fundamentais encontram-se o Tratado da Reintegração dos Seres, de Martinès de Pasqually, e as obras de Louis-Claude de Saint-Martin, especialmente Dos Erros e da Verdade, O Homem de Desejo, O Novo Homem e O Ministério do Homem-Espírito. O Tratado da Reintegração é considerado uma das obras fundamentais para compreender a doutrina dos Élus Coëns e a cosmologia de Pasqually.